"TIRO DE MISERICÓRDIA" letra
FBC, BAKA, Daniel Souza, Davi Horta & Lenis Rino Lyrics
"TIRO DE MISERICÓRDIA"
O menino cresceu entre a ronda e a cana
Correndo nos beco que nem ratazana
Entre a punga e o afano, entre a carta e a ficha
Subindo em pedreira que nem lagartixa
Borel, juramento, urubu, catacumba
Nas roda de samba, no eró da macumba
Matriz, querosene, Salgueiro, Turano
Mangueira, São Carlo, menino mandando
Ídolo de poeira, marafo e farelo
Um deus de bermuda e pé-de-chinelo
Imperador dos morro, reizinho nagô
O corpo fechado por babalaôs
Ídolo de poeira, marafo e farelo
Um deus de bermuda e pé-de-chinelo
Imperador dos morro, reizinho nagô
O corpo fechado por babalaôs
Baixou Oxolufã com as espadas de prata
Com sua coroa de escuro e de vício
Baixou Cão-Xangô com o machado de asa
Com seu fogo brabo nas mãos de Corisco
Ogunhê se plantou pelas encruzilhadas
Com todos seus ferros
Com lança e enxada
E Oxossi com seu arco e flecha e seus galos
E suas abelhas na beira da mata
E Oxum trouxe pedra e água da cachoeira
Em seu coração de espinhos dourados
Iemanjá, o alumínio, as sereias do mar
E um batalhão de mil afogados
Iansã trouxe as almas e os vendavais
Adagas e ventos, trovões e punhais
Oxum-Maré largou suas cobras no chão
Soltou sua trança, quebrou o arco-íris
Omulu trouxe o chumbo e o chocalho de guizos
Lançando a doença pra seus inimigos
E Nana-Buruquê trouxe a chuva e a vassoura
Pra terra dos corpos
Pro sangue dos mortos
Exus na capa da noite soltaram a gargalhada
E avisaram a cilada pros Orixás
Exus, Orixás, menino, lutaram como puderam
Mas era muita matraca pra pouco berro
Ai ai ai, ai ai ai ai ai ai
E lá no horto maldito, no chão do Pendura-Saia
Zumbi menino Lumumba tomba da raia
Mandando bala pra baixo contra as falanges do mal
Arcanjos velhos, coveiros do carnaval
Irmãos, irmãs, irmãozinhos
Por que me abandonaram?
Por que nos abandonamos em cada cruz?
Irmãos, irmãs, irmãozinhos
Nem tudo está consumado
A minha morte é só uma Ganga, Lumumba, Lorca, Jesus
Grampearam o menino do corpo fechado
E barbarizaram com mais de cem tiros
Treze anos de vida sem misericórdia
E a misericórdia no último tiro
Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco
Vou jogar nesses três que nem ele morreu
Num jogo cercado pelos sete lados
Grampearam o menino do corpo fechado
E barbarizaram com mais de cem tiros
Treze anos de vida sem misericórdia
E a misericórdia no último tiro
Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco
Vou jogar nesses três que nem ele morreu
Num jogo cercado pelos sete lados
Grampearam o menino do corpo fechado
E barbarizaram com mais de cem tiros
Treze anos de vida sem misericórdia
E a misericórdia no último tiro
Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco
Vou jogar nesses três que nem ele morreu
Num jogo cercado pelos sete lados
Grampearam o menino do corpo fechado
E barbarizaram com mais de cem tiros
Treze anos de vida sem misericórdia
E a misericórdia no último tiro
Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco
Vou jogar nesses três que nem ele morreu
Num jogo cercado pelos sete lados
Grampearam o menino do corpo fechado
E barbarizaram com mais de cem tiros
Treze anos de vida sem misericórdia
E a misericórdia no último tiro
Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco
Vou jogar nesses três que nem ele morreu
Num jogo cercado pelos sete lados
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album:
"TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANAS E OUTRAS BRASILIDADES" (2026)